Para onde quer que olhes apenas encontrarás espelhos refletindo
tua imagem e forma, espiralando em ascendência e rodopiando em diferentes
direções. Criando e destruindo, indo e vindo, chegando e partindo.
Pensaste que eras único?
Ó criatura incauta, nunca o fostes... Centenas, milhares, incontáveis
são as tuas cópias. Cada qual com sua personalidade, cada qual com seu próprio propósito
e objetivo peculiar.
Não existe alguém que possa chamar de Tu do jeito que te
concebes a ti próprio. O que tu chamas de ti mesmo são muitos. O singular neste
caso é plural.
Parece espantoso, um tanto aterrorizante, mas este é o palco
de um baile de máscaras onde o protagonista é incógnito. Eis a beleza de todo o
drama.
O ator principal se esconde atrás de cada figurante e em cada
cena o tempo todo. Ninguém o nota. Na realidade todos pensam que são ele,
quando em verdade são apenas um pano de fundo de algo muito maior do que sequer
poderiam presumir em seus mais remotos devaneios.
A trama foi bem costurada e o sistema através do qual ela
opera é hermeticamente vigiado e controlado. Quando tu pensas que descobriu
algo, um nível ainda mais elevado se revela diante de ti e novas fórmulas te
são reveladas. Fórmulas que te levarão a outros bailes, e outros bailes dentro
dos bailes.
A dança é eterna e infinita. A música é ininterrupta. E o “você”
não é um só.
A próxima vez que te olhares no espelho cuidado. Não te ludibries.
Você não é quem pensa ser!!!
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