Carma ou karma do sânscrito Karmam, significa ação. “A
toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”- terceira lei de Newton.
Quando ainda somos apenas pequeninas crianças dependentes
de nossos pais, muito da nossa percepção de mundo e da própria construção de
nossas personalidades é, digamos assim, emprestadas. Tendemos a absorver, imprimir
e incorporar profundamente as impressões passadas por eles a nós, de forma que
passamos a acreditar (quando adultos) que aquelas ideias, valores, reações e etc.
são genuinamente nossas.
Da mesma maneira, nossos pais absorveram de nossos avós os modelos
que (agora) nos são passados, e assim podemos constatar que os padrões chamados
de kármicos são mais antigos do que imaginamos. Códigos de conduta, ética,
moral, valores religiosos, conceito de bem e mal, bem como pré- disposições
genéticas a determinados tipos de doenças, a padrões de comportamento,
pensamento e reação são passados adiante e tendem a se repetir assim como um
disco riscado numa vitrola, até que alguém resolva AGIR de forma diferente.
Usando o exemplo da vitrola: Até que alguém resolva
desligar a vitrola, ou mudar o disco!
Esta carga familiar, por mais pesada que seja, pode ser
modificada a qualquer momento, bastando para isso despertar para esta
realidade.
Quando percebemos que não estamos fazendo opções livres de
influências externas, quando percebemos que estamos reagindo a determinada
situação da mesma forma que nossas mães, pais, avós, quando nos damos conta que
nossas escolhas estão baseando-se no externo (opiniões e expectativas alheias)
e não no nosso íntimo, já podemos nos parabenizar, pois a primeira lâmpada para
a libertação foi acesa! A partir desta constatação mental podemos seguir
adiante com o próximo passo: a manifestação material, ou seja, AÇÃO.
Foi dada a largada. O caminho agora está livre para
acomodar o novo, bastando para tal a manifestação de ações transformadoras. E
essas ações são colocadas em prática no íntimo. Não adianta querer mudar o pai
e a mãe, os avós, os filhos... A mudança tem que ser feita dentro de nós.
Para que os padrões kármicos familiares sejam quebrados,
basta que apenas UM membro da família resolva mudar. Basta que apenas UMA
pessoa resolva romper com aquela gravação hipnótica repetitiva. Basta que
apenas UM ser humano rompa com as algemas da ilusão e liberte-se da escravidão
do ego. Basta mudar o mecanismo de reação inconsciente para uma proação
consciente.
Se o medo foi uma das bases fundamentais da sua família (e
ele é à base da maioria) com confiança e Amor (a força oposta) pode-se iniciar
um processo completamente transformador a partir de você.
Todos os outros serão afetados por esta mudança, pois o
rompimento do padrão ressoará em sua teia familiar. Aquela música que tocava
durante séculos, não tocará mais. Porém, cada um responderá a sua maneira.
Muitos poderão permanecer inertes, outros poderão oferecer tremenda resistência
à mudança, e outros ainda poderão criar uma verdadeira revolução a fim de restituir
a antiga realidade. Obviamente cada qual viverá de acordo com a realidade que escolher-afinal
cada um é responsável por sua própria vida, visão e evolução.
Porém, este
pioneirismo deixará uma marca indelével no currículo da família, de forma que
em algum momento, tocará outro membro positivamente, nem que seja de uma
próxima geração.
Basta que um resolva acordar, evoluir e mudar a gravação.
Nós não mudamos os outros, nós apenas podemos mudar a nós
mesmos, porém o nosso despertar influencia e estimula o despertar das outras
almas ligadas diretamente ou indiretamente a nós.
Pergunte-se a si mesmo qual é
a canção familiar que você tem escutado durante os últimos anos? Será que ela
lhe agrada? Será que não está na hora de trocar o *heavy metal por um jazz?
Ao invés de reagir à música
que tem tocado nas últimas décadas seja proativo e mude o disco!
*nada contra o estilo musical
heavy metal – usei como exemplo de uma música mais pesada(como o próprio nome
já diz, pois em inglês heavy quer dizes pesado) em detrimento de uma mais leve
(o jazz).
1 comentários:
Excelente texto Fê! Como sempre, de uma lucidez e consciência profunda!
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