Você já deve ter observado que na
atualidade os relacionamentos passam por uma grande transformação. Os velhos
esquemas estão saindo de cena, ao passo que novos esquemas entram de
solavanco nos palcos das relações afetivas. Observa-se um crescente interesse
do indivíduo em si mesmo, em sua individualidade, em seu crescimento
profissional, e em sua autossatisfação, e certa aversão às concessões que
imperavam nos modelos de relacionamento “a moda antiga”.
A própria evolução tecnológica é uma das
corresponsáveis por esta mudança, à medida que aproxima os que estão distantes
e afasta os que estão perto. Como aceitar as limitações outrora impostas pelo
parceiro (a), sendo que o mundo no qual estamos inseridos nos mostra cada vez
mais possibilidades ilimitadas? Como conduzir uma relação sólida, ou seja,
permanecer com o mesmo parceiro, quando o próprio mercado nos estimula ao
consumo exacerbado e a trocas constantes?
“Quebrou? Compra outro!”
Como lidar com a mulher de negócios
que preza por sua carreira e tem atitudes firmes e objetivas? Como lidar com um
homem menos romântico que perdeu o encanto pelo universo feminino ou com um
machista incurável? O tempo urge e a cobrança é gigantesca.
“Você tem que ser alguém!”.
Então a resposta que vem automaticamente
é a de que não se pode perder tempo com o outro. Só que esquecemos que pessoas
não são coisas! E que aquilo que enviamos ao mundo, o mundo nos envia de volta,
não há como ser diferente! O que plantamos, colhemos.
Entendo que o ser humano precisa sim
saber quem ele é, precisa se reconhecer como um leão (indivíduo), e que também
necessita quebrar velhos padrões para evoluir, mas é preciso muito cuidado com
o extremismo. Por um lado existe uma importância tremenda nesta evolução: o
autoconhecimento. Quando o indivíduo está só, ele tem a oportunidade de
conhecer-se profundamente. Saber quais são seus desejos, anseios, medos,
traumas, limitações… E este é um elemento chave para o relacionamento: se eu me
conheço bem e me aceito, começo a respeitar e entender mais meu parceiro(a).
Mas por outro lado, este isolamento
pode se manifestar de forma negativa: numa individualidade egoísta, fria e
privada de verdadeiro contato humano. Onde “só interessa o que é meu e os
outros que se explodam!”.
Vejo que a humanidade ainda caminha
no fio da navalha extremista “ou eu ou ele”, e que apesar de ser um sintoma de
uma necessidade de mudança ainda não é o ideal. Pelo menos não do meu ponto de
vista. Temos que lembrar que a evolução não para no rugido de independência do leão,
e sim que avança para uma realidade ainda mais sublime: a interdependência.
Onde eu não preciso sumir para que o outro exista, e também não necessito de
autoafirmação o tempo todo. Mas, ela só vai acontecer quando o ser humano
entender que ele não é totalmente independente, e quando ele constatar que tudo
está ligado, e que todas as suas ações afetam todo o meio que o circunda
(incluindo pessoas) e além.
Eu percebo que as relações estão
estremecidas, que caos está presente e a falta de compreensão impera como nunca
antes. Os papéis homem e mulher estão confusos e as pessoas não sabem ainda
como agir frente a todas estas mudanças de comportamento. Mas, este ainda não é
o ideal das relações.
Uma relação interdependente traria
consigo o respeito pela individualidade de cada um e a cooperação para o
crescimento mútuo, sem aniquilamento de personalidades, mas com abertura de
união de corações.
A dependência rege o modelo de
relacionamento antigo, a independência o modelo de relacionamento moderno, mas
nem um nem outro são modelos ideais. O equilíbrio está no meio, não nos
extremos. A interdependência é o caminho.

0 comentários:
Postar um comentário