Há tempos que sua vida lhe parecia estagnada, há tempos que
ela se via sempre envolvida naquele mesmo enrosco familiar sem sair do lugar...
Ela tinha uma
conexão especial com todos os membros de sua família, sempre estando atenta aos
seus problemas e disposta a ajudar a solucioná-los. Porém ela não conseguia
perceber que gastava muita energia com aquelas questões, e que quase sempre
colhia muitas perdas como frutos de seus esforços.
Sim, Senhorita “M” havia sofrido muitas perdas naqueles
anos todos: financeira, emocional e psicológica. Ela sempre manteve os pilares
familiares bem firmes para que a estrutura toda não ruísse, mas de tanto sustentar
seus braços erguidos eis que a fraqueza começou a se tornar evidente.
E foi exatamente quando estava a ponto de despencar,
completamente desgastada, que Senhorita “M” recebeu um convite inesperado para
trabalhar fora do país.
Seu amigo Mário morava há cinco anos em Nova York e
trabalhava numa famosa galeria de arte. Senhorita “M” pintava belíssimas telas
com tinta óleo, um hobby que cultivava desde os 10 anos de idade, e ansiava que
um dia suas obras fossem reconhecidas.
Jocelyn, a dona da galeria, passou na casa de Mário numa
tarde de inverno e ficou completamente enfeitiçada pelo quadro que ele exibia
no centro de sua sala de estar. Quando ele revelou que aquela obra pertencia a
uma grande amiga brasileira, Jocelyn ficou eufórica e imediatamente pediu que
ele entrasse em contato com a tal amiga.
Então foi proposto à senhorita “M” que se mudasse para Nova
York e lá vivesse durante dois anos com todas as despesas pagas, pintando
telas. Jocelyn queria uma grande produção de obras para lançar senhorita “M” no
mercado e obviamente para cobrir as despesas da hóspede brasileira e guardar
uns bons dólares no bolso também.
No momento exato do telefonema, ao ouvir a proposta,
senhorita “M” teve dois sentimentos contraditórios. Por um lado, uma energia
radiante que empurrava ela para frente e a fazia sentir-se mais dona de si,
livre, reconhecida e aventureira, e por outro, o medo de arriscar tudo e dar
com burros n’água e ainda sacrificar a família onde durante anos e anos ela
investiu tanta energia...
O medo do novo, do desconhecido se apossou dela...
Ela sabia que queria mudar, e a oportunidade se fez
presente, mas mesmo assim ela titubeou.
“Será que vou
conseguir abandoná-los? Serei capaz de deixar minha família, amigos, a vida que
conheço em nome do desconhecido? Será que ficarei bem sozinha? E se eu tiver
medo? E se precisar de alguma coisa? E se adoecer?...”
Senhorita “M” tinha um monte de dúvidas e sua mente lançava
mensagens a cada milésimo de segundo.
E ela não tinha muito tempo para resolver... Jocelyn deixou
bem claro que precisava de uma resposta breve...
Mas, a grande insatisfação e o cansaço de anos de custosa
dedicação lhe impeliam a seguir em frente...
Pela primeira vez ela iria se colocar como prioridade, se
arriscar, afinal ela ainda era jovem e teria tempo de consertar o que quer que
fosse se esta sua “aventura” não desse certo.
Afinal, a vida não é isso? Experiência, experimentação... Não se trata de teoria, e sim de prática! É preciso viver de fato, se jogar de braços abertos, investir... É preciso se entregar Totalmente ao desconhecido; brotar e deixar para trás o velho estado de semente... É preciso confiança! É preciso coragem para germinar...
“Se eu não mudar minhas atitudes, não serei capaz de obter
resultados distintos. Vou experimentar algo novo.” – disse a si mesma.
E então, depois de aguardar alguns minutos (que pareceram horas para
a Senhorita “M”), Jocelyn obteve uma resposta positiva...
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Se você se encontra numa situação insustentável, se está
num grande momento de insatisfação, se sente que a vida parou, a única opção que
você tem é a mudança! Se você continuar agindo da mesma maneira, se continuar
fazendo as mesmas escolhas obterá sempre os mesmos resultados... Isso é física
pura: mude o estímulo e a resposta mudará! Se você sempre apostou no 3, tente agora
apostar no 9...
