Cíntia vivia confinada dentro de uma caixa, em plena
penúria de forma que a única realidade que ela conhecia era baseada em limitação, escassez e escuridão.
Não sabia dizer se tinha pai ou mãe, mas sabia muitas coisas do mundo lá fora
de ouvir dizer.
Eliot se comunicava com ela todos os dias e lhe contava
muitas histórias. Contava-lhe sobre os campos floridos, sobre as noites de
chuva, sobre o céu estrelado, sobre o sol iluminando e deixando mais radiantes
as pradarias, sobre a vida dos animais e dos seres humanos...
Para ela era muito
difícil imaginar tais coisas pela falta de referência, mas isso aguçava incontrolavelmente sua
curiosidade.
Cíntia sonhava com a libertação, sonhava em romper as
barreiras da caixa escura, limitada e escassa. Sonhava em conhecer o mundo...
Um dia uma pequenina fenda apareceu. A luz entrou
tímida, mas foi o suficiente para machucar a vista despreparada de Cíntia.
Eliot então disse:
- É chegado o momento! A oportunidade se fez presente e
agora você finalmente será capaz de conhecer o mundo!
Cíntia sentiu medo. Perguntou-se inúmeras vezes se estava
pronta, mas a insegurança arrepiava-lhe os pelos da derme:
- E se eu não
gostar e quiser voltar?
Eliot sorriu e disse:
- Quando você sair irá crescer e nunca mais caberá nesta caixa, Cíntia.
A ansiedade aumentou:
- Não serei mais a mesma? Isso quer dizer que eu vou mudar?
- Vai sim. Mas isso não é algo ruim de forma alguma. Sei o
que você está sentindo, Cíntia. Também passei um bom tempo dentro de uma casulo
escuro, e saí dele completamente transformado. A gente se acostuma com a
limitação, nos sentimos protegidos e seguros com as barreiras, mas nada se
compara com a sensação de plenitude que um par de asas pode lhe oferecer...”
Cíntia trêmula aceitou a proposta.
Eliot – a borboleta- então passou pela fresta apertada e
pousou exatamente na ponta do nariz de Cíntia transformando completamente sua
realidade.
A caixa se desfez e o mundo se apresentou a ela pela primeira vez...
Cíntia então compreendeu Eliot e maravilhada com as cores, os cheiros, e todas as novas sensações, finalmente voou...

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