Senhorita “M” estava ficando estressada e decepcionada,
pois não conseguia acertar a flecha no centro do alvo. Ela já estava praticando
o esporte há algum tempo, mas parecia estagnada em sua evolução. Havia tentado
de tudo, estava com toda a técnica decorada e profundamente enraizada em seu intelecto, mas isso não garantia seu sucesso no tiro. A
flecha nunca atingia o centro.
Assim, largou o arco e decidiu sentar-se na grama.
Inspirou profundamente e trouxe através da inalação, nas
moléculas de O2, as palavras de seu professor:
“Você e a flecha são um.”
- Que diabos ele quis dizer? – perguntou-se angustiada.
- Como vou me tornar a flecha?
Senhorita “M” olhou ao seu redor. Ela estava num parque, num
perímetro dedicado a prática do esporte, mas dali era capaz de ver, ouvir e
sentir toda a movimentação de pessoas, animais e coisas que se dava no parque
como um todo.
Aquele barulho intenso a tonteou. Inspirou mais uma vez,
profundamente. Fechou os olhos e começou a abstrair todo tumulto que havia em
sua mente. O vento penetrou-lhe a derme...
Seus braços começaram a mover-se num ritmo constante e intimamente
sincronizado com a brisa dançante. O som do vento era seu único guia.
Com o arco e flecha nas mãos ela abriu os olhos. Fitou o
alvo como se não houvesse mais nenhuma outra opção, nenhum espaço fora do
centro, de forma que: ou a flecha atingia o alvo, ou a flecha atingia o alvo.
Aquele era o foco, aquela era a única possibilidade.
Sua visão se fechou para qualquer probabilidade além. Seus
ouvidos fixaram-se apenas no som da dança do ar.
O corpo já havia se posicionado. Braços firmes, na altura
certa.
“Vamos atingir nosso
objetivo! Eu e você, você e eu, juntas como uma só!” – disse ela
mentalmente antes do disparo.
A sensação era de que nenhuma outra força no mundo seria
capaz de desviar a trajetória daquela flecha obstinada...
E assim, segundos
depois, Senhorita “M” constatou que havia atingido exatamente o centro do
alvo...
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