Passos errantes do Amor


Saudades de teus passos errantes
De teu sorriso galanteador
De teu afago sincero
De teu desajeitado Amor...

Saudades de me olhar no espelho 
De me esbarrar nos meus erros em teus pés
Do extremo e do mesmo Medo
De Ser o que se É

Saudades da espontaneidade 
E da inocente manipulação
Dos segredos das meias verdades
Que se escondiam em vão...

Das promessas desfeitas
De desfazer as receitas
Comer o bolo do avesso
De aprender com a indigestão...

Saudades das fugas diárias 
Dos encontros esbarrantes da Essência
Dos conflitos de Egos, redenção das toalhas
Da neutralidade e fluência

Das ações contraditórias
Irresponsável liberdade
Das palavras auroras
E escuras vaidades

Saudades de tua ansiedade engraçada
De teus planos mirabolantes
De minhas projeções animadas
E de meus auto-falantes

Do melhor amigo,
Da cumplicidade de irmão
De dormir com o inimigo
Plumas de travesseiro rasgado no colchão...

Saudades do beijo vampiro
Suco de tomate, alho e cruz
Do mocinho e do bandido
Da prece divina, da tentação que seduz...

De se jogar no vento
E arrebentar a cara no chão
E perceber que não existe cimento, 
Mas que para o desatento
É saborosa insana ilusão...

Aqui, neste instante inconstante 
Papéis que voam na estante
Giram como roda gigante
E caminham na contra-mão

Agora, em nostálgico movimento
emano meu sentimento
que vibra, pulsa e se torna canção

Move, muda, transforma, 
mas permanece sempre o mesmo
eternamente Vivo em meu coração...


F. Luongo

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